quinta-feira, 29 de abril de 2021

CONVERSAÇÃO DOS SENTIDOS

CONVERSAÇÃO DOS SENTIDOS

8 Traze o povo que, ainda que tem olhos, é cego e surdo, ainda que tem ouvidos.

Livro do Profeta Isaías, cap. 43:8.



Isaías.

Escritor, pregador e profeta de DEUS


Obra de Antônio Francisco Lisboa (1738-1814).

Pintor, escultor e entalhador brasileiro. 

 

Disse um Olho:

Eu vejo muito bem

As sementes que alguém

Semeou pelo campo

Para produzir flores e frutos,

Árvores e arbustos.



“Quando você estiver triste, olhe mais uma vez para dentro do seu coração e você vai descobrir que, na verdade, você está chorando por aquilo que tem sido sua alegria.”

Khalil Gibran (1883-1931).

 

Disse outro Olho:

Eu tenho a visão

De toda a imensidão

Onde o Produtor Divino,

Colocou cabras e bovinos,

Galinhas, cavalos e suínos.

 

Disse outro Olho arguto:

Eu olho para o céu

E vejo os passarinhos

Que constroem na terra os ninhos,

Mas voam pelo espaço.

 

Outro Olho porém,

Disse ver aquém

Os imensos montes

Que em todos os instante

Parecem servos vigilantes.

 

“Deve existir algo estranhamente sagrado no sal: está em nossas lágrimas e no mar...”

Khalil Gibran (1883-1931).

 

Vejo também as montanhas

Alegres e risonhas,

Que circundam a Terra

Protegendo a sua esfera.

 

Vejo planícies e planaltos,

Que estão de fato

Servindo de asfalto

Onde todos pisam.

 

Um Olho vê o abismo

Que está contíguo,

Mas ninguém o vê.

 

 “Este abismo existe porque há algo de errado comigo.”

Khalil Gibran (1883-1931).

 

Mas um outro Olho falou:

Eu vejo o capim

Que se espalha enfim

Por toda a campina.

 

Porém, um Olho nada viu

E debochadamente insistiu

Que os outros estavam tendo visões...

 

" qualquer coisa errada com o Olho.”

Khalil Gibran (1883-1931).

 

Cada um só pode ver

O que pode conceber

O seu Sentido.

 

A beleza não está na cara; a beleza é uma luz no coração.”

Khalil Gibran (1883-1931).

 

Agora, inibido,

Disse um Ouvido

Ter ouvido

Alguma coisa.

 

Outro Ouvido

Por demais audaz

Ficou em paz

Para poder escutar

O que alguém estava a falar.

 

Outro Ouvido,

Deveras atrevido

Ficou distraído

E do papo não participou.

 

Outro Ouvido disse:

Eu nada ouvi

E até concluí

Que a acústica não é boa.

 

Um Nariz sentiu o perfume

Que saía do lume

De uma fogueira.

 

Disse outro Nariz:

É sândalo que está sendo queimado

E mantém perfumado

Todo o ambiente.

 

Outro Nariz assumiu

Que também sentiu

Um perfume maravilhoso.

 

Outro Nariz disse nada sentir

E que estava ali

Bem mais perto.

 

“Tu és cego e eu sou surdo mudo, toquemo-nos com as mãos e compreendamo-nos.”

Khalil Gibran (1883-1931).




A Mão quis tocar o cheiro,

O Pé quis pisá-lo,

O Olho quis vê-lo,

O Ouvido ouvi-lo,

Mas somente o Nariz

Teve a condição

Para tal apreciação.

 

Uma Boca elevou a voz

E cantou uma melodia

Agradecendo o dia

E a presença do sol.

 

“Uma voz não pode transportar a língua e os lábios que lhe deram asas. Deve elevar-se sozinha no éter.”

Khalil Gibran (1883-1931).

 

Uma Boca,

Bate um papo com a outra:

Eu senti um paladar.

Mas a outra não sentiu,

Pois não estava a degustar

A mesma coisa.

 

Abriu-se uma Bocarra

Cheia de marra;

Tudo provou

E comprovou

O Poder do Paladar.

 

Isto confirma que cada Sentido

Está em sua dimensão

E só nela tem noção

Dos acontecimentos.

 

“Somente o esquecimento é um abismo que nem a voz nem o olho podem atravessar.”

Khalil Gibran (1883-1931).

Escritor e poeta libanês.